Nunca achei normal ter varrido do meu arquivo de memórias, épocas, situações e detalhes da minha vida que me marcaram profundamente e que alteraram por completo o meu rumo. Depois de alguma análise, percebi que as que me escapavam, eram sobretudo as memórias boas... as más ainda por cá andam ...
Li algures que o nosso cérebro guarda à mão de semear as experiências que contêm informação relevante e que nos permita guiar e traçar o nosso caminho futuro. Por outras palavras, o nosso GPS cerebral vai sendo alimentado com o mapa de experiências actuais e que nos impeçam de voltar a meter a pata na poça, cometendo os mesmos erros que nos provocaram dor em momentos anteriores da nossa vida... Inteligente como é o nosso cérebro, quer zelar e velar pela nossa felicidade.
As experiências que desencadearam em nós tsunamis emocionais, têm entrada directa para os lugares mais importantes do nosso arquivo interior. O mais engraçado é que também li que as memórias de carga negativa podem não ser absolutamente fiéis, e que inclusive podem mudar...
Ao contrário do que se pensava, vamos alterando as memórias, e de cada vez que revisitamos o nosso álbum pessoal reactualizamo-lo e olhamo-lo com novos olhos. À medida que crescemos e percebemos melhor o mundo, temos uma nova oportunidade de contextualizar as nossas experiências passadas e dar sentido mesmo às que nos magoaram.
Eu acho que à luz das memórias do passado, podemos muito bem visualizar o nosso futuro... Quer dizer, quanto mais nos formos arrumando por dentro, melhor.